Inaugurado em julho de 1900, o metrô de Paris tem 213 km de extensão, 16 linhas e 300 estações, transportando cerca de 6 milhões de pessoas por dia, e é completado pelo RER (Réseau Express Régional em Francês ou Rede Expressa Regional, em portugês), que são 5 linhas de "trens subterrâneos" que vão além dos limites de Paris, até as cidades da região metropolitana, na prática, dentro de Paris os RER funcionam de forma idêntica aos metrôs, 14.518,3 km ², com 2.153.600 habitantes (Janeiro de 2005)Já o metrô do Rio, inaugurado em março de 1979, tem 42 km de extensão, 2 linhas e 38 estações e transporta 550 mil passageiro por dia, numa cidade com 43.696,054 km², com 15.561.119 habitantes(estimativa do MS em 2006)As autoridades de Paris lançaram em julho de 2007 o Velib, um sistema de bicicletas públicas com objetivo de estimular as pessoas a desistirem de usar automóveis. Entre os objetivos do Velib é melhorar o trânsito lento da cidade e estimular alternativas mais ecológicas de transporte, e a prefeitura de Paris colocou à disposição da população 20.500 bicicletas públicas em cerca de mil pontos de estacionamento e 400 quilômetros de ciclovias na cidade. Qualquer um que tenha o cartão de transporte público de Paris pode pegar uma bicicleta para se deslocar para onde quiser. Após o uso, o veículo pode ser devolvido em qualquer ponto de bicicletas – não necessariamente no mesmo onde foi retirado. O sistema Velib é voltado para pessoas que fazem pequenas viagens, e já tem 160.000 usuários. No Rio temos cerca de 150 quilômetros de ciclovias.O salário mínimo na França é de 1154,00 €, ou seja, cerca de R$ 3.002,33 (em 21/05/2008), enquanto que no Rio de Janeiro, o piso salarial varia entre R$ 447,25 (trabalhadores agropecuários e florestais) e R$ 1.200,00 (advogados e contadores empregados).Uma bicicleta em Paris custa a partir de R$ 212,00 € (18,37 % do salário mínimo francês) e no Rio de Janeiro, R$ 179,00 (38,06 % do salário mínimo de uma doméstica ou de um auxiliar de serviços gerais).A temperatura média no verão parisiense é de 24° C e no carioca é de 28° C podendo chegar à média de 33° C.
E o que espera o governador Cabral em sua visita à Paris? Implantar um sistema de transporte alternativo, com o uso de bicicletas na cidade?
Alguém consegue imaginar um morador do Recreio dos Bandeirantes, que trabalha num escritório na Praça Mauá, saindo de sua casa, de terno, pedalando pela orla até o Terminal Alvorada, embarcando num ônibus de integração com o Metrô, entrando na estação Cantagalo para embarcar no Metrô com destino à estação Uruguaiana e de lá sair pedalando até seu escritório, num sol de mais de 30° C? A que horas esse cidadão terá que sair de casa para chegar no trabalho para o expediente que se inicia às 9 horas???
Será que o governador Cabral instituirá o "bolsa-bicicleta" para quem 'optar' pelo transporte alternativo???
Será que o governador Cabral buscará parceria com a Caixa Econômica para o financiamento da "bicicleta própria"???
Me poupem!!!
Ao invés de ir à Paris, o governador Cabral deveria estar se reunindo aqui mesmo, no Rio de Janeiro, com representantes do BNDES e buscando verba para a construção das Linhas 4 e 6 do Metrô, porque a população carioca precisa de um transporte coletivo de massa eficiente.
O BNDES financia o metrô de São Paulo desde a década de 80, tanto na aquisição de grande parte da frota de trens quanto na realização de diversos investimentos e, no dia 20/05, liberou o financiamento de R$ 1,58 bilhão para a expansão da Linha 2 da capital paulista; em março aprovou 142,3 milhões para o metrô de Fortaleza.
O BNDES aprovou dois financiamentos, no total de até US$ 194,6 milhões, para que a Construtora Norberto Odebrecht S.A. realize exportações de bens e serviços para a Venezuela. A empresa participa de dois projetos: a expansão do metrô de Caracas e a realização de obras. Quer mais? O BNDES aprovou uma operação de apoio de financiamento à exportação de ônibus brasileiros para Cuba.
Lembro que a Coluna Boechat (Jornal do Brasil - 12/11/2004) publicou absurda e insensata declaração do Sr. Carlos Lessa (então presidente do BNDES e hoje pré-candidato à prefeito da cidade) de que aquele banco não financiaria a expansão do metrô até a Barra, alegando que ''aquilo é uma Miami de especulação imobiliária'' e que deveriam escrever na saída do túnel Dois Irmãos ''Sorria, você está saindo da Barra''.
Com cerca de 10 mil moradores vindo morar na Vila do Pan e outros 12 mil no Península, em breve a região vai mesmo precisar é de charretes para acompanhar o ritmo lento do trânsito!
Sugiro que nós moradores da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes promovamos um "passeio automobilístico" em frente à residência do senhor governador, mas não de braços abertos como autênticos equlibristas do Cirque du Soleil...
segunda-feira, 26 de maio de 2008
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