quinta-feira, 27 de março de 2008

Congresso aprovou corte de 24,9% no programa de combate à dengue

Plantão Publicada em 25/03/2008 às 20h15m

Adriana Mendes - Globo Online

BRASÍLIA - O Programa de Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue do Ministério da Saúde teve um corte no Orçamento da União de 24,9% segundo constatou o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). De acordo com o levantamento, o programa que tinha um orçamento inicial de R$ 18,7 milhões sofreu redução para R$ 14,04 milhões.

O economista e assessor técnico do Inesc Evilásio Salvador diz que o corte segue a tradição do manejo do orçamento brasileiro, onde geralmente a área social é a mais afetada.

- Chama atenção porque é um programa importante, principalmente pelo que vem ocorrendo no Rio de Janeiro. Constatamos que o corte na ação específica de combate à Dengue é maior que o corte no Programa de Vigilância. Isso é grave - disse o economista

As ações de combate à Dengue estão inseridas no orçamento Programa Vigilância, Prevenção e Controle de Doença e Agravo. Para o Orçamento da União de 2008 o programa tinha na proposta inicial de R$ 2,7 bilhões, sedo reduzido para R$ 2,3 bilhões, o que representa um corte de 15%. O programa atende uma série de ações para a rede básica de saúde pública, entre ela o combate à dengue.

Os cortes no Orçamento foram aprovados pelo Congresso no dia 13 de março.

Fonte: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2008/03/25/congresso_aprovou_corte_de_24_9_no_programa_de_combate_dengue-426536056.asp

domingo, 23 de março de 2008

DENGUE - O "AMIGO NATURAL" É O HOMEM

Saneamento, a verdadeira solução

Duilo Victor

O algoz que tentou estragar o verão no Rio e deixou doentes, até sexta-feira, 23.555 cariocas só este ano, divide casa com a vítima. Cerca de 90% dos focos do mosquito Aedes aegypti estão próximos do ambiente doméstico, portanto, ao nosso alcance. No Rio, o calor escaldante e as chuvas fazem a larva criar asas em apenas uma semana, três dias antes do que em outras cidades. Especialistas no assunto descrevem mais motivos para o Aedes gostar do Rio: crescimento desordenado e acúmulo de lixo nas encostas. Tais problemas condenam os moradores a serem fadados a conviver com o mosquito. Diante de nova epidemia, restam as ações de emergência.
- O Aedes não tem inimigo natural, pois vive no ambiente doméstico, o que existe é o amigo natural, que é o homem - explica o o especialista no estudo de insetos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Anthony Érico Guimarães. - Medidas paliativas, como colocar areia nos pratinhos de plantas não adiantam mais. Os ovos do mosquito resistem 12 meses e, até lá, a areia pode ter saído com a chuva.
O radicalismo contra o mosquito não passa por usar repelente ou deixar de vestir bermuda, segundo Guimarães. Em vez de areia no pratinho, melhor eliminar o pratinho, recomenda o especialista.
- Mais do que informar, as pessoas precisam ser educadas, desde a escola, tornar o combate às larvas algo tão comum como escovar os dentes. Não basta, por exemplo tampar a caixa d'água com telha. O reservatório tem de ser vedado com tampa apropriada.
A tática de evitar o uso da bermuda não é eficaz, pois o mosquito é agressivo e ataca o rosto se estiver faminto. Fumacês são pouco eficazes pois o veneno é lançado da rua.

Casa ruim, focos em série

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Marcelo Simões, faz coro quanto as ações de educação no combate aos focos, mas pondera: de nada adianta se a vizinhança não colaborar. Segundo o também consultor do Ministério da Saúde, casebres sem abastecimento d'água - o que obriga armazenar em tonéis quase sempre destampados - e sem coleta de lixo aumentam o problema:
- O advento das garrafas pet fez os locais de coleta virarem um manancial de focos do mosquito.
Apesar de ter um PIB maior que do Chile, os gargalos de infra-estrutura nas moradias ainda assolam o Rio. Estudo da pesquisadora Márcia Frota Sigaud, divulgado desde o ano passado pelo Instituto Pereira Passos, traça um mapa das moradias inadequadas do Rio, que, não por coincidência, tem entre os bairros campeões alguns líderes de incidência de dengue este ano, como Jacarepaguá, Rocinha, Pavuna e Paquetá. As áreas de favelas ou de ocupação mais recente da cidade apresentaram os maiores percentuais: Guaratiba (40%), Rocinha (36%), Barra da Tijuca (21%), Santa Cruz (20%), Paquetá (18%), Jacarepaguá (15%), Complexo do Alemão (13%), Campo Grande (11%), Pavuna (10%) e Rio Comprido (9%).

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/editorias/rio/papel/2008/03/23/rio20080323000.html

DENGUE: A VERDADE COMEÇA A APARECER

Saúde - Governo federal gastou pouco contra a dengue

BRASÍLIA

Quem olha com uma lupa para os gastos do Ministério da Saúde em 2007 encontra parte da explicação para o recrudescimento dos casos de dengue no Rio de Janeiro. Levantamento feito pelo site Contas Abertas mostra que o ministério aplicou pouco mais da metade da dotação de R$ 68,1 milhões destinada, no ano passado, ao Programa de Vigilância, Prevenção e Controle da Malária e da Dengue. Considerando apenas a fatia desses recursos voltada ao Rio de Janeiro, a execução foi de apenas 31% dos recursos programados no Orçamento Geral da União.
A rubrica garante verbas para a compra de equipamentos e veículos utilizados no combate à dengue, campanhas educativas, treinamento de profissionais, compra e transporte de inseticidas usados para matar o mosquito Aedes Aegypti, vetor da doença, e o percentual apontado pelo levantamento leva em consideração os gastos com os chamados "restos a pagar". Isso quer dizer que dos R$ 37,4 milhões gastos com o combate à dengue, e 2007, R$ 10,5 milhões serviram para quitar débitos de exercícios passados. Apenas R$ 26,9 milhões foram, de fato, dinheiro novo injetado no controle da transmissão da doença em todo o país, contra os R$ 68,1 milhões previstos no Orçamento, aponta a organização.

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/03/23/pais20080323001.html