quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

SABOTAR INTERESSA A QUEM ???

Concordo com carta da Evelyn Rozenzweig, Presidente da Associação de Moradores do Alto Leblon, publicada no O Globo de hoje, quando esta afirma que o movimento de boicote ao pagamento do IPTU, embora democrático, seja politiqueiro e não apresenta soluções para a cidade.

Nós moradores da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Vargens Grande e Pequena, Jacarepaguá, etc. não contamos com ações dos governo estadual e federal, principalmente no sentido da implantação da Linha 4 do Metrô, aumento do policiamento, melhoria no atendimento à saúde e somos obrigados a pagar o IRPF, ICMS, INSS e outros impostos e taxas mais, e, enquanto nosso presidente empresta dinheiro para a construção de Metrô em outros estados e países e agora "leva" mais alguns milhôes para o Sr. Fidel, mais e mais construções são erguidas nessa região sem saneamento básico, sem transporte de massa e com rios e lagoas cada vez mais poluídos.

Se aqui um prédio pegar fogo, lembrando que temos prédios com mais de 25 andares, não há escada magirus para socorrer; vemos mercadorias sem nota fiscal (cofres, móveis, etc.) serem vendidas nas ruas ou em caminhões; ônibus piratas inter-municipais circulam impunemente; o esgoto sanitário continua a ser cobrado sem que este seja coletado; e por aí vai.

O Abílio Tozini está certíssimo em suas colocações, aliás, como sempre faz, quando diz que não pagar o IPTU é sabotar a Cidade do Rio de Janeiro, já que este imposto não é "do prefeito", e possivelmente a parcela menos privilegiada da população, que não é a que participa deste ato, deixará de ser assistida nos postos de saúde, nas escolas, nas creches.

Antes desses presidentes de associações de moradores incentivarem essa atitude anti-social, dever-se-ia realizar em cada bairro uma pesquisa para saber se realmente os moradores concordam com essa atitude e, acima de tudo, lembrar que esse ato iniciado na Zona Sul carioca, sempre privilegiada com ações de recolhimento de população de rua, de reforço de policiamento, de embelezamento, poderá recair não nesses locais, e sim aonde moram as pessoas que trabalham para esses poucos que incentivam a desordem sem apresentar propostas para a ordem.